Sobre a bondade do Dia da Mulher, assisti o desfilar de
diversas razões para a sua existência e outras tantas a defenderem a sua extinção.
Algumas válidas, outras nem por isso. De um lado e de outro. Digo desde já: não
tenho opinião definitiva sobre o assunto.
Para mim, aceito como válidas: assinalar a memória daquel@s
que lutaram em prol da igualdade; reflexão sobre as desigualdade que ainda persistem.
Por outro lado, também acho que o dia caiu numa vulgarização absoluta e que, pelo
menos nas democracias do mundo ocidental, não existem assim tantas razões para
manter o dia, não se constituindo como um dia de discriminação positiva.
Quero, contudo, focar-me nos argumentos, que vi muito
disseminados, em que para justificar este dia, metem tudo o que são problemas
sociais ao barulho. Ele é para assinalar o número de mulheres desempregadas,
ele é para assinalar as questões relacionadas com a parentalidade; ele é para
as questões de violência de género, ele é para a sensibilização para os números
vergonhosos da violência doméstica, a prostituição, o tráfico de seres humanos,
enfim…. E isto tudo como se no centro destes problemas estivesse a mulher. Não
está! No centro destes problemas está a Pessoa. Por isso, parece-me
manifestamente abusivo e até pouco sério.
Contudo, reconheço a necessidade de promover a
sensibilização para os problemas das mulheres e até acho que faria sentido um
dia para assinalar os problemas de género. Por isso deixo a questão aos meus
amigos tubianos: não faria mais sentido e até mais atual, assinalar um dia, por
exemplo, da Consciência de Género? Ou, se quisermos meter tudo ao barulho, um
Dia da Consciência para a Não discriminação? Ou, ainda mais lato, um Dia da Consciência
da Pessoa?
A mim parece-me que faria mais sentido (a primeira hipótese
não desvirtua o Dia da Mulher, naquilo que tem de válido e permite,
efetivamente, alargar o espectro)
Deixo à vossa consideração.