segunda-feira, 10 de março de 2014

Sobre o dia da mulher

Sobre a bondade do Dia da Mulher, assisti o desfilar de diversas razões para a sua existência e outras tantas a defenderem a sua extinção. Algumas válidas, outras nem por isso. De um lado e de outro. Digo desde já: não tenho opinião definitiva sobre o assunto.
Para mim, aceito como válidas: assinalar a memória daquel@s que lutaram em prol da igualdade; reflexão sobre as desigualdade que ainda persistem. Por outro lado, também acho que o dia caiu numa vulgarização absoluta e que, pelo menos nas democracias do mundo ocidental, não existem assim tantas razões para manter o dia, não se constituindo como um dia de discriminação positiva.
Quero, contudo, focar-me nos argumentos, que vi muito disseminados, em que para justificar este dia, metem tudo o que são problemas sociais ao barulho. Ele é para assinalar o número de mulheres desempregadas, ele é para assinalar as questões relacionadas com a parentalidade; ele é para as questões de violência de género, ele é para a sensibilização para os números vergonhosos da violência doméstica, a prostituição, o tráfico de seres humanos, enfim…. E isto tudo como se no centro destes problemas estivesse a mulher. Não está! No centro destes problemas está a Pessoa. Por isso, parece-me manifestamente abusivo e até pouco sério.
Contudo, reconheço a necessidade de promover a sensibilização para os problemas das mulheres e até acho que faria sentido um dia para assinalar os problemas de género. Por isso deixo a questão aos meus amigos tubianos: não faria mais sentido e até mais atual, assinalar um dia, por exemplo, da Consciência de Género? Ou, se quisermos meter tudo ao barulho, um Dia da Consciência para a Não discriminação? Ou, ainda mais lato, um Dia da Consciência da Pessoa?
A mim parece-me que faria mais sentido (a primeira hipótese não desvirtua o Dia da Mulher, naquilo que tem de válido e permite, efetivamente, alargar o espectro)

Deixo à vossa consideração.

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