Ponto de ordem: lanço este tema aqui no Tubo porque gostaria
que o debatêssemos, não como mero exercício intelectual, mas porque me parece
que será, não apenas necessário mas até benéfico para as finanças regionais e
para a qualidade do serviço prestado.
A Região (RAM) vai entrar, em breve (já começou, aliás) num
novo ciclo político e económico, fruto do desenvolvimento excecional e inquestionável
dos últimos anos, da dívida entretanto acumulada e das mudanças
político-partidárias, essencialmente dentro do PSD-M (o desgaste de Jardim e o
aparecimento de candidaturas e tendências até há pouco quase inexpressivas).
É um tempo de desassossego entusiasmante pois estou em crer
que esta nova etapa poderá imprimir novas dinâmicas que projetem a Madeira para
um novo futuro.
Inevitavelmente, muitos paradigmas terão de ser alterados: o
modelo de desenvolvimento; as necessidades sociais e a prática política são
algumas das áreas em que nos salta à vista que mudanças são indispensáveis. Acho,
contudo, a exemplo da maior parte dos partidos e até de alguns candidatos à
liderança do PSD-M, como o Sérgio Marques, por exemplo, que devemos aproveitar
para fazer alterações ao sistema político. E é neste contexto que acho que
temos de começar a pensar seriamente numa reforma administrativa do nosso
território, especialmente ao nível do poder local.
Neste momento, o nosso mapa autárquico é constituído por 11
municípios e 54 freguesias. A minha questão está dividida em três: a população
madeirense necessita mesmo desta quantidade de autarquias? Justificam os recursos
que consomem? É possível reduzir o número de autarquias sem quebras na
qualidade do serviço?
Vamos a factos: as autarquias madeirenses, apenas ao nível
dos municípios (sem contar com funcionários das juntas de freguesia) têm cerca
de 3250 (eram 3257 em 2010) funcionários. O que representa uma média de 14
funcionários por cada mil habitantes (existem casos em que temos 30/1000). Em
termos comparativos, este valor é o dobro do que existe em Sintra, Cascais ou
Gaia. É certo que estamos a comparar com áreas densamente povoadas (nos
municípios rurais o rácio é sempre maior) e ainda estamos longe dos 93/1000 do
Corvo. Contudo, parece-me que podemos descer este rácio sem que isso tenha
impactos negativos na vida das pessoas. Até porque muitas das competências que
no continente estão adstritas às autarquias, na Região são asseguradas pelo
Governo Regional.
Por outro lado, esta quantidade de autarquias implica um
investimento grande com pessoal político: entre vereadores com pelouro, senhas
de presença para todos os eleitos e assessorias políticas (chefes de gabinete, secretários
e adjuntos), estou em crer que temos investimento anual superior a um milhão de
Euros. Não será daqui que resolveremos o problema da dívida, mas para além da
poupança óbvia, atenuaríamos o impacto que todos estes comissários políticos
têm no quotidiano madeirense, quer das instituições, quer dos cidadãos (essa
influência política é grande e nefasta, como todos sabemos). Por mais que não
fosse, isto, só por si, já justificaria a reflexão séria.
Não me entendam mal, não sou apologista de despedimentos:
mas com uma reforma bem feita seria possível centralizar serviços, dispensando recursos
humanos e técnicos para outras áreas. E a médio prazo, estou em crer,
recorrendo apenas às reformas, seria possível reduzir o número de funcionários,
se não para metade, pelo menos para cerca de 2.000, o que implicaria uma grande
poupança ao erário público.
Contudo, para a efetivação desta reforma, teríamos de olhar
para o que foi feito no continente e fazer tudo ao contrário. Estive na
Dinamarca em 2009, onde vi uma reforma do poder local bem feita, concertada
entre eleitos e população, com discussão pública e atenção às idiossincrasias de
cada local e das populações. Obviamente, seria um modelo deste género que
defendo para a região.
Vamos, contudo, ao mais excitante e, admito, ao mais
polémico: que reforma faria eu?
Pois bem, não vou opinar sobre freguesias, mas tenho uma
estrutura municipal na cabeça que gostaria de partilhar convosco. Por mim,
mantinha o Funchal, Câmara de Lobos e Vila Baleira. Agregava Ribeira Brava,
Ponta de Sol e Calheta, num único município; Machico e Santa Cruz num outro e
Santana, São Vicente e Porto Moniz num terceiro, reduzindo para 6 o número de municípios.
Acho esta agregação equilibrada, que respeita uma certa continuidade territorial
e cultural, e com a garantia de proximidade à população.
Gostaria, contudo, de ouvir as vossas opiniões.
Vamos lá ao debate.
Sem comentários:
Enviar um comentário