sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A importância da história para a sociedade

O ensino de história nos faz conhecer uma realidade que nos permite reproduzir transformações pelas quais a sociedade esta se passando. A formação social é fundamentada na história de cada povo o tempo histórico passado e presente são essenciais para compreender a formação estrutural de cada civilização.
O discurso do ensino de história nos direciona a memória das grandes sociedades que se passaram, e tinham alguns modelos eficazes para se estruturarem socialmente. Não cabe ao presente ser semelhante ao passado, mas conhecer sua história por completo e compreendê-la em sua formação social, política, econômica e cultural. O conhecimento do passado influencia no presente tendo uma noção do futuro tendo uma perspectiva social histórica. O formador do discurso do ensino de história é o detentor do banco de memória do passado única fonte de pesquisas e práticas os detentores deste conhecimento tem como papel principal revelar que com a história pode-se mudar e transformar um sistema social dominante por completo.
Não cabe ao historiador dominar o tempo e sim conhecendo e dominando a história presente que passa por varias mudanças de uma geração a outra de maneira que para ter um bom domínio da história presente o historiador jamais deverá ser negligente em relação à história. O discurso no presente não é para propor um modelo exato das condições políticas e sociais, mas compreender entender como deve ser os desenvolvimentos, processos de pensamentos na formação do discurso crítico. 
O estudo de história deve esta na formação de cada cidadão desenvolvendo seu conhecimento transformando-o em um cidadão capaz de formar seus próprios conceitos ideológicos. A educação do homem se faz necessário com um bom conhecimento da história temporal que o torna parte fundamental interferindo nos valores dominantes da sociedade. A escola é a principal formadora de conhecimento implantado no homem onde sua amplitude de ensino esta nos diversos espaços educacionais que capacitará o homem como ser pensante, principal fonte de reprodução do conhecimento da história que transmitirá o conhecimento e valores sociais que viabilizarão a legitimação do conhecimento em todos os espaços. Está na educação à importância de ensinar história, à escola como fornecedora do conhecimento tem a responsabilidade de formar o cidadão um agente duplo ao mesmo tempo ensinando e aprendendo como uma sociedade deve se portar diante de sua própria história.
Nos espaços de formação e reprodução do cidadão uma sociedade moderna em desenvolvimento tem-se a necessidade de aprender sua própria história como ela deve ser contada, ensinada como ela pode interferir no sistema político. Fazer da história algo importante para sociedade é necessário em alguns casos fugir as regras impostas pelo sistema educacional brasileiro. A socialização do cidadão em uma sociedade brasileira faz do aluno uma parte na construção histórica de um povo que tem conhecimento onde estes são utilizados em diferentes meios sociais para incorporar na vida do cidadão elementos tornando-o um sujeito ativo e pensante.
As sociedades estão em constantes mudanças sejam elas nos espaços políticos, culturais e sociais a historiografia tem como objetivo levar cada pessoa a observar em cada contexto histórico acontecimentos isolados que a sociedade vive a negligenciar. Os preceitos colocados nos espaços de formação abrangem todas as esferas da educação sejam nas escolas como nas famílias que se preocupam em dar ênfase aos grandes personagens históricos não permitindo novas maneiras de estudar uma nova história com conteúdos selecionados e ricos modificando o tradicionalismo imposto.
Não se pode deixar de lado o que não pode ser esquecido quando na verdade a história tem a sua importância e pode influenciar nas grandes questões que envolvem desigualdades sociais, econômicos, políticos etc. na verdade uma nação não existe sem sua própria história seja ela boa ou má da mesma forma que uma sociedade ao negligenciar sua história esta renegando sua própria identidade seu passado. Podemos observar que as grandes civilizações têm grandes histórias a serem lembradas e relembradas século após séculos. 
O conhecimento histórico é fundamental em cada nação, sociedade no momento atual passamos por uma grande crise de identidade onde os valores não são lembrados importantes fatos não observados com a devida importância. O certo é que uma sociedade que não se identifica com sua própria história não tem conhecimento de se mesmo. Nas escolas brasileiras o problema é bem mais amplo a disciplina de história não é vista como algo de fundamental importância para a educação de um futuro cidadão onde a prova esta nas matrizes curriculares a disciplina de história tem uma grande redução sendo superadas por outras na verdade todas as disciplinas deveriam seguir um mesmo principio. A função da história é nos tornar atentos aos acontecimentos analisa-los e termos uma noção do que esta se passando. Uma nação cuja história não é valorizada e dada o seu devido valor esta sujeita a se perder no tempo.
(Lelas da Silva Santana, acadêmico de História pela Unifan, guarda civil metropolitano de Goiânia. E-mail lelascarcara@hotmail.com; www.facebook.com/lorlelas.santana)

In http://www.dm.com.br/texto/137696 

Miséria humana

Para quem leva a sua vidinha, pacata, com maior ou menor dificuldades, com crise ou sem crise, lá vai seguindo o seu dia a dia, completamente alheio a uma dura realidade que se esconde na Madeira Nova, que o betão Jardinista não foi capaz de apagar.

É preciso andar no terreno, nas ruas, nos becos e nas veredas para tomarmos a consciência da pobreza  que envergonhadamente se esconde, às vezes num adro de igreja, outras escondidas numa casa no meio de um bananal.

Há tempos atrás escrevi aqui, que o atraso madeirense do passado, tão empolado pelos nossos governantes de modo a fazer crescer um falso desenvolvimento, não passava de um mero instrumento comparativo com o continente, elevando o regime cá da terra, sempre com o intuito de mostrar o que é saber crescer!

Mas que crescimento tivemos?
Estradas, centros cívicos, escolas onde já não existem alunos, túneis e mais túneis, seguidos de pontes e mais túneis! São necessários? Sim, muitos deles sim, muitos fundamentais para encurtar distâncias enormes, quando queríamos ir mesmo ali ao lado, outros dão-nos segurança. Outros, e não são assim tão poucos, completamente desnecessários. Furar a rocha e encher de betão, encher os bolsos de quem vende betão.

E o outro crescimento?
O crescimento civilizacional, o crescimento cultural, o crescimento educacional. Onde está esse crescimento?
Investimentos em desporto! Onde estão os nossos campeões? Temos um Ronaldo, obrigado Ronaldo pelas alegrias que nós proporcionas. Mas é Ronaldo um produto da terra? Tem um talento natural, ninguém dúvida disso, mas onde estava a Madeira Nova quando teve de precocemente sair da sua terra para crescer como desportista, como pessoa e como ser humano? Certamente não foi por causa das verbas gastas no desporto regional. Mas novamente pergunto, para onde foi esse investimento? Novamente para o betão, para o futebol profissional, com atores de outras bandas!

Olhamos para as nossas escolas e pergunto novamente, onde estão os nossos grandes pensadores? Onde estão os nossos grandes cientistas? Os grandes poetas? Criaram-se escolas por toda a região, quando as distâncias ficaram mais curtas, e aqueles que antes saíam da sua zona de conforto, alargavam horizontes, o campo de visão passava a ser outro. Novamente, gastamos, mas não estudamos, não soubemos ver qual é o nosso objectivo, não quantificamos as necessidades, não percebemos qual o nosso caminho a percorrer.

E nesta Madeira Nova, que tanto cresceu, que é das regiões mais desenvolvidas de Portugal, e é no Funchal, onde essa grande sabedoria e crescimento empola o resto da ilha, que ainda vivem pessoas em condições da mais dura das misérias humanas! Pessoas que não sabem o que é um interruptor de luz em casa. O petróleo (aquele cor de rosa) é um grande sinal dos tempos modernos, e banho de água quente, é só esperar pelo verão, quando a mangueira que rega a horta aquece ao sol e proporciona uns litros de água morna!

E é está a Madeira nova!

Fonte: Madeira do Avesso

Duarte Caldeira Ferreira 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Discursos: by all means necessary

Este é um discurso decisivo na história da América. Não é um discurso pacífico, pois é esgrimido o argumento que os afro-americanos podem, de acordo com a Constituição, pegar em armas para defender-se de uma turba racista e violenta. Malcom X não se inibe em dizer: devemos utilizar todos os meios necessários para conquistar os nosso direitos. Não é uma apologia da violência, é uma apologia de uma luta que a todos os níveis pode ser necessária, apesar de muito perigosa. Malcom X foi assassinado.  




o mio babbino caro



Fortuna Literária

'Segunda parte de las republicas del mundo' - Jerónimo Roman y Zamora (1575)
Censurado pela Inquisição Espanhola em 1585
Comprava livros compulsivamente. Havia entranhado a profunda crença de que lê-los-ia a todos antes de se finar.

Deus, que manifestava uma atroz indiferença pela vida humana, seria incapaz de cometer a infâmia de deixar um livro órfão de leitor. – Sabia-o e a comprová-lo estava o facto d’Este ter equipado todos os humanos com um par de olhos. Uma ponderada redundância para quem votaria a humanidade a uma prolongada negligência, não fossem os frágeis seres estragarem metade de si.

E então, qual toxicómano, comprava para obter uma dose de satisfação que o fizesse sentir vivo. Porém, não roubava! A educação católica que recebera como espartilho, condicionava o seu comportamento numa intrincada rede de fronteiras éticas e abismos morais. Trabalhava e comprava. Trabalhava desalmadamente para sustentar financeiramente o seu vício. Não por acreditar ser detentor de uma alma cuja dação constituísse um tributo a conceder num absoluto acto de lealdade. Pretendia esvaziar-se de tal fardo espiritual, diligenciando a conjecturada libertação pelo labor, e abrindo em si espaço ao conhecimento literário que acumulava em espécie.

Meticuloso na escolha, despendia horas incontáveis a lutar contra o canto de sereia dos títulos, o apelativo ludibriar do grafismo das capas e as citações reverentes que ostentavam. Mergulhava nas sinopses, nas contracapas e nos índices e tinha os autores como amigos secretos com quem privava em conversas idílicas que lhe ocupavam quotidianamente os serões. Acumulou um universo de amigos que lhe habitavam permanentemente o lar arrumando-se, como em beliches, contra as paredes da casa. Vezes sem conta, dormia entre poetas, jantava com novelistas, banhava-se sob o olhar de romancistas e partilhava um charuto e um brandy com dramaturgos.

Sempre cumpriu as funções de censor que lhe haviam sido acometidas pela chefia, seguindo escrupulosamente as suas directrizes de lápis azul em riste. Nunca se refez da desilusão profissional quando, numa florida madrugada aprilina, prescreveram-lhe uma reforma compulsiva. Após um curriculum de 900 trabalhos elogiosamente concluídos, sentiu-se traído pelo destino por lhe ter tolhido o caminho da imortalidade, ao privar-lhe o sustento do seu vício. Dilacerado, continuou a exercer o único ofício que conhecia. Por conta própria e no seu próprio lar.

Pereceu a trabalhar.
Executou todos os seus amigos.
Nunca leu um livro na vida.

by Miguel Silva Gouveia

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O soneto 105

Soneto 105

Não chame o meu amor de Idolatria 

Nem de Ídolo realce a quem eu amo, 
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo. 
É hoje e sempre o meu amor galante, 
Inalterável, em grande excelência; 
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença. 
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo; 
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento; 
E em tal mudança está tudo o que primo, 
Em um, três temas, de amplo movimento. 
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora; 
Num mesmo ser vivem juntos agora.

Quis fazer uma pequena crónica sobre um soneto, procurei lestamente um poema de amor, encontrei em Shakespeare o tríptico :"Beleza, Bem, Verdade"; sós outrora, num mesmo ser vivem agora. Este poema remete-me para a observação de Saramago sobre as palavras - O Homem Duplicado. Diz o autor, que as palavras vazias nos tornam vazios. Se não damos conteúdo àquilo que dizemos, ficamos sem conteúdo. Somos poços sem água, se nos livrarmos dos significantes. Compreendo, por isso repito um amor sem significado é idolatria, é um prazer feito de magia e um sofrimento feito de ilusão. 

Devemos proclamar a beleza, produzir o bem, e sublinhar a verdade. Há aqui uma ética que me faz pensar nos limites das nossas acções: imaginemos um mentiroso, este poderá ser um perigoso defeito, pois se mentir pode ser útil em muitas situações, ao mesmo tempo, pode ser um grande obstáculo noutras. Mentir à família e aos que estão próximos produz um único resultado: ostracismo. Roubar, o mesmo. Pode um ladrão roubar um estranho, mas ninguém se aproxima a alguém que está disposto a furtar os seus bens. É possível haver uma circunscrição: e geralmente a há. Um assassínio pode ser um pai e marido extremoso. Um mentiroso pode ser verdadeiro para os amigos e família. Um ladrão pode ser generoso aos seus. Cria-se enfim uma linha que separa a idolatria dos verdadeiros sentimentos. 

Que outra coisa é a falsidade, ou o mal, se não uma idolatria pelo domínio das coisas? Uma sujeição do mundo aos nossos subjectivos preceitos? Se alguém mente é porque quer dominar a natureza das coisas, ou desviar os percursos naturais das coisas. Todavia, nós se queremos amor - e queremos amar - não pode haver grandes truques para alcançar este sentimento. Podemos ser amados com a mentira, mas amar é impossível mentindo.