quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

UP DOIS, ESQUERDA, DIREITA....

nos últimos dias aconteceram coisas por aqui que me lembraram a minha mãe. pessoa de esquerda assumida nela tipificavam conceitos e posturas características desse posicionamento político. não quero aqui fazer análise política profunda. quero falar de uma coisa que a esquerda mais tradicional e tradicionalista tem e que muito a caracteriza (para além da mania de andar de régua na mão a medir o esquerdismo ou o direitismo das questões e das pessoas). a esquerda, ou parte dela, desculpa tudo à esquerda. nunca erra, ou se o faz admite-o com a soberba de quem se acha superior. o erro é condimento, é assim a modos que uma pimenta muito ligeira que quase nunca se nota.
podem cometer-se as maiores enormidades, que isso tem pouco importância... a esquerda desculpa!
a minha mãe era assim... se era de esquerda era bom... se era de direita era mau. como eu sou de direita imaginem-se as discussões. acabavam sempre com cada um na sua. mas não foram poucas as vezes o que o argumento ouvido lhe ficava a saltitar na cabeça e dias depois lá vinha: "tens que me explicar melhor aquilo do "não sei quê""...
iam-lhe ao bolso. se o governo era de esquerda é que tinha que ser, se de direita era roubo descarado!
professora que era se a direita mexia na educação caia o Carmo e a Trindade se era a esquerda é que tinha que ser!
qualquer coisa que a direita fizesse ao nível da cultura era um desastre... o nada que a esquerda foi fazendo era porque somos um país pequenino!
o interessante em tudo isto é o facto de ter sido esta mesma pessoa que me deu todas as ferramentas para possa hoje pensar as coisas. não me deu uns "óculos" de esquerda ou de direita nem uns que fizessem a destrinça automáticamente. deu-me a leitura, a arte, a música, ensinou-me a aproveitar todos os sentidos e a tirar deles partido.
no meio das nossas discussões (e são tantas as saudades) tantas vezes lhe chamava a atenção para esta contradição e a resposta era invariavelmente a mesma e sob a forma de um ditado. piscava-me o olho e dizia:
"faz o que eu digo e não faças o que eu faço!"

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