quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Jesus e Sócrates

Uma vez li de George Steiner - Paixão Intacta - que os judeus só podiam invejar duas figuras: Jesus e Sócrates. Jesus é fácil perceber. Sócrates, nem por isso. Entretanto, li a Apologia de Sócrates. Consegui assim, atingir uma neblina de compreensão. 

Tenhamos em atenção, alguns trechos da Apologia:

Sócrates tem amor aos seus concidadãos. 

"Ora, pois, cidadãos atenienses, estou bem longe de me defender por amor a mim mesmo, como alguém poderia supor, mas por amor a vós, para que, condenando-me, não tenhais de cometer o erro de repelir o dom de mim que vos fez o Deus. Pois que, se me mandares matar, não encontrareis facilmente outro igual, que (pode parecer ridículo dizê-lo) tenha sido adaptado pelo Deus à cidade, do mesmo modo como a um cavalo grande e de pura raça, mas um pouco lerdo pela sua gordura, é aplicada a necessária esporada para sacudi-lo." 

Bem-aventuramos aqueles que transportam o bem. O perdão. 

"Mas também vós, ó juízes, deveis ter boa esperança em relação à morte, e considerar esta única verdade: que não é possível haver algum mal para um homem de bem, nem durante a vida, nem depois da morte, e que os Deuses não se interessam do que a ele concerne; e que, por isso mesmo, o que hoje aconteceu, no que a mim concerne, não é devido ao acaso, mas é a prova de que para mim era melhor morrer agora e ser libertado das coisas deste mundo. Eis também a razão porque a divina voz não me dissuadiu, e porque, de minha parte, não estou zangado com aqueles cujos votos me condenaram, nem contra meus acusadores."

O final. 

"É a hora de irmos: eu para a morte, vós para as vossas vidas; quem terá a melhor sorte? Só os Deuses sabem." 




Sem comentários:

Enviar um comentário