Muitos defensores da medida trazem à liça, como argumento, o
facto das crianças estarem melhor em lares do que em instituições de
acolhimento. Por princípio, concordo (ainda que considere que a resposta para
este problema está na melhoria das condições das instituições), mas este
argumento vem infetado de um erro: parte do pressuposto de que há mais crianças
à espera de ser adotadas do que casais interessados em adotar.
Fui informar-me: no dia 17 de janeiro de 2014, existiam em
Portugal 492 crianças, com idades compreendidas entre os 0 e os 15 anos, à
espera para serem adotadas. Estão inscritos na Segurança Social, para adotar,
1877 casais. Ou seja, para cada criança, há 3 casais interessados.
Mesmo reconhecendo que existem várias variantes (casais sem
condições efetivas para adotar - por diversos motivos; crianças com
deficiências - que a maior parte dos casais não está interessada; crianças de
etnias diferentes; a idade das crianças, etc.), com isto, apenas quero
demonstrar que há muitos mitos que não correspondem à verdade. E se se quer discutir
isto a sério, temos de depurar o debate destas falsas verdades.
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