O termo "independente" ganhou uma estranha conotação: pessoa ligada à política, porém não afecta à militância de um partido. A estranheza advém da natureza de um sistema democrático representativo. O parlamento numa democracia é preenchido por cores partidárias, sendo os deputados apontados pelos partidos, ou seja, sujeitos a uma disciplina partidária, não representando directamente os cidadãos. A representação é indirecta: os eleitores votam directamente nos partidos, por sua vez, os partidos escolhem os seus representantes. Dito isto, o termo independente ganha valor acrescido. O independente é escolhido não pela obediência a um partido, mas sim pelo seu valor na sociedade. Isto é, pelo menos, aquilo que está implícito na acepção que temos do termo.
Daqui surgem dois problemas: primeiro, fica diminuído o valor do militante; segundo, fica a ideia que os partidos não funcionam internamente de forma clara e objectiva, oferecendo "lugares" sem que isto tenha correspondência ao mérito do escolhido. Os partidos perdem valor dando lugar a independentes, pois isto corresponde a assumir que o seu funcionamento interno é suspeito ou ineficaz.
Eu não tenho nada contra o termo "independente". Eu próprio não sou militante de um partido. Todavia, sou obrigado a dizer que é virtualmente impossível corresponder a minha independência àquele sentido que o termo tomou. É fácil explicar a razão: todo e qualquer projecto político não é feito no singular, mas no plural. Por outro lado, sou afecto a um corpo de princípios, valores e crenças que condicionam - naturalmente - as minhas posições políticas. Sou, inclusive, obrigado a dizer que poderei agir politicamente em outros tipos de associações políticas que não as partidárias - associações, sindicatos, movimentos, etc.
Daqui, lanço a questão se não devemos repensar o que é independência no actual sistema político? Será proveitosa esta forma de fazer política? Fará sentido aceitarmos que "independentes" ocupem cargos de nomeação partidária (como é o caso dos deputados)?
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