sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A importância da história para a sociedade

O ensino de história nos faz conhecer uma realidade que nos permite reproduzir transformações pelas quais a sociedade esta se passando. A formação social é fundamentada na história de cada povo o tempo histórico passado e presente são essenciais para compreender a formação estrutural de cada civilização.
O discurso do ensino de história nos direciona a memória das grandes sociedades que se passaram, e tinham alguns modelos eficazes para se estruturarem socialmente. Não cabe ao presente ser semelhante ao passado, mas conhecer sua história por completo e compreendê-la em sua formação social, política, econômica e cultural. O conhecimento do passado influencia no presente tendo uma noção do futuro tendo uma perspectiva social histórica. O formador do discurso do ensino de história é o detentor do banco de memória do passado única fonte de pesquisas e práticas os detentores deste conhecimento tem como papel principal revelar que com a história pode-se mudar e transformar um sistema social dominante por completo.
Não cabe ao historiador dominar o tempo e sim conhecendo e dominando a história presente que passa por varias mudanças de uma geração a outra de maneira que para ter um bom domínio da história presente o historiador jamais deverá ser negligente em relação à história. O discurso no presente não é para propor um modelo exato das condições políticas e sociais, mas compreender entender como deve ser os desenvolvimentos, processos de pensamentos na formação do discurso crítico. 
O estudo de história deve esta na formação de cada cidadão desenvolvendo seu conhecimento transformando-o em um cidadão capaz de formar seus próprios conceitos ideológicos. A educação do homem se faz necessário com um bom conhecimento da história temporal que o torna parte fundamental interferindo nos valores dominantes da sociedade. A escola é a principal formadora de conhecimento implantado no homem onde sua amplitude de ensino esta nos diversos espaços educacionais que capacitará o homem como ser pensante, principal fonte de reprodução do conhecimento da história que transmitirá o conhecimento e valores sociais que viabilizarão a legitimação do conhecimento em todos os espaços. Está na educação à importância de ensinar história, à escola como fornecedora do conhecimento tem a responsabilidade de formar o cidadão um agente duplo ao mesmo tempo ensinando e aprendendo como uma sociedade deve se portar diante de sua própria história.
Nos espaços de formação e reprodução do cidadão uma sociedade moderna em desenvolvimento tem-se a necessidade de aprender sua própria história como ela deve ser contada, ensinada como ela pode interferir no sistema político. Fazer da história algo importante para sociedade é necessário em alguns casos fugir as regras impostas pelo sistema educacional brasileiro. A socialização do cidadão em uma sociedade brasileira faz do aluno uma parte na construção histórica de um povo que tem conhecimento onde estes são utilizados em diferentes meios sociais para incorporar na vida do cidadão elementos tornando-o um sujeito ativo e pensante.
As sociedades estão em constantes mudanças sejam elas nos espaços políticos, culturais e sociais a historiografia tem como objetivo levar cada pessoa a observar em cada contexto histórico acontecimentos isolados que a sociedade vive a negligenciar. Os preceitos colocados nos espaços de formação abrangem todas as esferas da educação sejam nas escolas como nas famílias que se preocupam em dar ênfase aos grandes personagens históricos não permitindo novas maneiras de estudar uma nova história com conteúdos selecionados e ricos modificando o tradicionalismo imposto.
Não se pode deixar de lado o que não pode ser esquecido quando na verdade a história tem a sua importância e pode influenciar nas grandes questões que envolvem desigualdades sociais, econômicos, políticos etc. na verdade uma nação não existe sem sua própria história seja ela boa ou má da mesma forma que uma sociedade ao negligenciar sua história esta renegando sua própria identidade seu passado. Podemos observar que as grandes civilizações têm grandes histórias a serem lembradas e relembradas século após séculos. 
O conhecimento histórico é fundamental em cada nação, sociedade no momento atual passamos por uma grande crise de identidade onde os valores não são lembrados importantes fatos não observados com a devida importância. O certo é que uma sociedade que não se identifica com sua própria história não tem conhecimento de se mesmo. Nas escolas brasileiras o problema é bem mais amplo a disciplina de história não é vista como algo de fundamental importância para a educação de um futuro cidadão onde a prova esta nas matrizes curriculares a disciplina de história tem uma grande redução sendo superadas por outras na verdade todas as disciplinas deveriam seguir um mesmo principio. A função da história é nos tornar atentos aos acontecimentos analisa-los e termos uma noção do que esta se passando. Uma nação cuja história não é valorizada e dada o seu devido valor esta sujeita a se perder no tempo.
(Lelas da Silva Santana, acadêmico de História pela Unifan, guarda civil metropolitano de Goiânia. E-mail lelascarcara@hotmail.com; www.facebook.com/lorlelas.santana)

In http://www.dm.com.br/texto/137696 

Miséria humana

Para quem leva a sua vidinha, pacata, com maior ou menor dificuldades, com crise ou sem crise, lá vai seguindo o seu dia a dia, completamente alheio a uma dura realidade que se esconde na Madeira Nova, que o betão Jardinista não foi capaz de apagar.

É preciso andar no terreno, nas ruas, nos becos e nas veredas para tomarmos a consciência da pobreza  que envergonhadamente se esconde, às vezes num adro de igreja, outras escondidas numa casa no meio de um bananal.

Há tempos atrás escrevi aqui, que o atraso madeirense do passado, tão empolado pelos nossos governantes de modo a fazer crescer um falso desenvolvimento, não passava de um mero instrumento comparativo com o continente, elevando o regime cá da terra, sempre com o intuito de mostrar o que é saber crescer!

Mas que crescimento tivemos?
Estradas, centros cívicos, escolas onde já não existem alunos, túneis e mais túneis, seguidos de pontes e mais túneis! São necessários? Sim, muitos deles sim, muitos fundamentais para encurtar distâncias enormes, quando queríamos ir mesmo ali ao lado, outros dão-nos segurança. Outros, e não são assim tão poucos, completamente desnecessários. Furar a rocha e encher de betão, encher os bolsos de quem vende betão.

E o outro crescimento?
O crescimento civilizacional, o crescimento cultural, o crescimento educacional. Onde está esse crescimento?
Investimentos em desporto! Onde estão os nossos campeões? Temos um Ronaldo, obrigado Ronaldo pelas alegrias que nós proporcionas. Mas é Ronaldo um produto da terra? Tem um talento natural, ninguém dúvida disso, mas onde estava a Madeira Nova quando teve de precocemente sair da sua terra para crescer como desportista, como pessoa e como ser humano? Certamente não foi por causa das verbas gastas no desporto regional. Mas novamente pergunto, para onde foi esse investimento? Novamente para o betão, para o futebol profissional, com atores de outras bandas!

Olhamos para as nossas escolas e pergunto novamente, onde estão os nossos grandes pensadores? Onde estão os nossos grandes cientistas? Os grandes poetas? Criaram-se escolas por toda a região, quando as distâncias ficaram mais curtas, e aqueles que antes saíam da sua zona de conforto, alargavam horizontes, o campo de visão passava a ser outro. Novamente, gastamos, mas não estudamos, não soubemos ver qual é o nosso objectivo, não quantificamos as necessidades, não percebemos qual o nosso caminho a percorrer.

E nesta Madeira Nova, que tanto cresceu, que é das regiões mais desenvolvidas de Portugal, e é no Funchal, onde essa grande sabedoria e crescimento empola o resto da ilha, que ainda vivem pessoas em condições da mais dura das misérias humanas! Pessoas que não sabem o que é um interruptor de luz em casa. O petróleo (aquele cor de rosa) é um grande sinal dos tempos modernos, e banho de água quente, é só esperar pelo verão, quando a mangueira que rega a horta aquece ao sol e proporciona uns litros de água morna!

E é está a Madeira nova!

Fonte: Madeira do Avesso

Duarte Caldeira Ferreira 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Discursos: by all means necessary

Este é um discurso decisivo na história da América. Não é um discurso pacífico, pois é esgrimido o argumento que os afro-americanos podem, de acordo com a Constituição, pegar em armas para defender-se de uma turba racista e violenta. Malcom X não se inibe em dizer: devemos utilizar todos os meios necessários para conquistar os nosso direitos. Não é uma apologia da violência, é uma apologia de uma luta que a todos os níveis pode ser necessária, apesar de muito perigosa. Malcom X foi assassinado.  




o mio babbino caro



Fortuna Literária

'Segunda parte de las republicas del mundo' - Jerónimo Roman y Zamora (1575)
Censurado pela Inquisição Espanhola em 1585
Comprava livros compulsivamente. Havia entranhado a profunda crença de que lê-los-ia a todos antes de se finar.

Deus, que manifestava uma atroz indiferença pela vida humana, seria incapaz de cometer a infâmia de deixar um livro órfão de leitor. – Sabia-o e a comprová-lo estava o facto d’Este ter equipado todos os humanos com um par de olhos. Uma ponderada redundância para quem votaria a humanidade a uma prolongada negligência, não fossem os frágeis seres estragarem metade de si.

E então, qual toxicómano, comprava para obter uma dose de satisfação que o fizesse sentir vivo. Porém, não roubava! A educação católica que recebera como espartilho, condicionava o seu comportamento numa intrincada rede de fronteiras éticas e abismos morais. Trabalhava e comprava. Trabalhava desalmadamente para sustentar financeiramente o seu vício. Não por acreditar ser detentor de uma alma cuja dação constituísse um tributo a conceder num absoluto acto de lealdade. Pretendia esvaziar-se de tal fardo espiritual, diligenciando a conjecturada libertação pelo labor, e abrindo em si espaço ao conhecimento literário que acumulava em espécie.

Meticuloso na escolha, despendia horas incontáveis a lutar contra o canto de sereia dos títulos, o apelativo ludibriar do grafismo das capas e as citações reverentes que ostentavam. Mergulhava nas sinopses, nas contracapas e nos índices e tinha os autores como amigos secretos com quem privava em conversas idílicas que lhe ocupavam quotidianamente os serões. Acumulou um universo de amigos que lhe habitavam permanentemente o lar arrumando-se, como em beliches, contra as paredes da casa. Vezes sem conta, dormia entre poetas, jantava com novelistas, banhava-se sob o olhar de romancistas e partilhava um charuto e um brandy com dramaturgos.

Sempre cumpriu as funções de censor que lhe haviam sido acometidas pela chefia, seguindo escrupulosamente as suas directrizes de lápis azul em riste. Nunca se refez da desilusão profissional quando, numa florida madrugada aprilina, prescreveram-lhe uma reforma compulsiva. Após um curriculum de 900 trabalhos elogiosamente concluídos, sentiu-se traído pelo destino por lhe ter tolhido o caminho da imortalidade, ao privar-lhe o sustento do seu vício. Dilacerado, continuou a exercer o único ofício que conhecia. Por conta própria e no seu próprio lar.

Pereceu a trabalhar.
Executou todos os seus amigos.
Nunca leu um livro na vida.

by Miguel Silva Gouveia

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O soneto 105

Soneto 105

Não chame o meu amor de Idolatria 

Nem de Ídolo realce a quem eu amo, 
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo. 
É hoje e sempre o meu amor galante, 
Inalterável, em grande excelência; 
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença. 
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo; 
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento; 
E em tal mudança está tudo o que primo, 
Em um, três temas, de amplo movimento. 
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora; 
Num mesmo ser vivem juntos agora.

Quis fazer uma pequena crónica sobre um soneto, procurei lestamente um poema de amor, encontrei em Shakespeare o tríptico :"Beleza, Bem, Verdade"; sós outrora, num mesmo ser vivem agora. Este poema remete-me para a observação de Saramago sobre as palavras - O Homem Duplicado. Diz o autor, que as palavras vazias nos tornam vazios. Se não damos conteúdo àquilo que dizemos, ficamos sem conteúdo. Somos poços sem água, se nos livrarmos dos significantes. Compreendo, por isso repito um amor sem significado é idolatria, é um prazer feito de magia e um sofrimento feito de ilusão. 

Devemos proclamar a beleza, produzir o bem, e sublinhar a verdade. Há aqui uma ética que me faz pensar nos limites das nossas acções: imaginemos um mentiroso, este poderá ser um perigoso defeito, pois se mentir pode ser útil em muitas situações, ao mesmo tempo, pode ser um grande obstáculo noutras. Mentir à família e aos que estão próximos produz um único resultado: ostracismo. Roubar, o mesmo. Pode um ladrão roubar um estranho, mas ninguém se aproxima a alguém que está disposto a furtar os seus bens. É possível haver uma circunscrição: e geralmente a há. Um assassínio pode ser um pai e marido extremoso. Um mentiroso pode ser verdadeiro para os amigos e família. Um ladrão pode ser generoso aos seus. Cria-se enfim uma linha que separa a idolatria dos verdadeiros sentimentos. 

Que outra coisa é a falsidade, ou o mal, se não uma idolatria pelo domínio das coisas? Uma sujeição do mundo aos nossos subjectivos preceitos? Se alguém mente é porque quer dominar a natureza das coisas, ou desviar os percursos naturais das coisas. Todavia, nós se queremos amor - e queremos amar - não pode haver grandes truques para alcançar este sentimento. Podemos ser amados com a mentira, mas amar é impossível mentindo. 



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sobre o corpo

O corpo é uma entidade exterior ao verdadeiro "eu", ou o "eu" e o nosso corpo somos uma mesma coisa, feitos da mesma substância, portanto indissociáveis? Quanto à matéria, excluindo a hipótese de termos uma alma, o corpo é composto pela mesma matéria da matéria da consciência - é o mesmo substracto com diferentes funções. Parece-me indiscutível este ponto, a base bioquímica é a mesma. Somos seres feitos de moléculas e átomos similares entre diferentes indivíduos, e o mesmo acontece entre um mesmo organismo: mente e corpo são feitos dos mesmos componentes. 

Assim, sobra as consequências deste dilema:

"Eu acho o problema aqui são as consequências da catalogação do corpo: as implicações éticas e morais são diferentes nas duas concepções de corpo. Se o corpo é propriedade nossa, podemos, por exemplo, vender um órgão ou prostituir o mesmo, dado que somos donos do mesmo; em suma, o corpo é um objecto independente do nosso verdadeiro "eu". Se o corpo somos nós, e é uma entidade indissociável de nós, então, eticamente, parece, pelo menos, errado vender um órgão ou vender o corpo para o sexo venal. Afinal, é o nosso "eu" que ali está a ser comercializado ou a ser usado. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Governo sexista

O editorial do Público de hoje deu de caras com um exemplo linguístico sexista.

"Ora não é isso que sucede nos textos dos próprios planos governamentais, quando o género feminino aparece não em pé de igualdade gráfica mas entre parênteses. Ou seja, em lugar de lermos “conselheiro/a”, lemos “conselheiro(a)”. Sendo que o parênteses remete para uma indicação acessória, enquanto a barra sugere uma representação simétrica."

Jesus e Sócrates

Uma vez li de George Steiner - Paixão Intacta - que os judeus só podiam invejar duas figuras: Jesus e Sócrates. Jesus é fácil perceber. Sócrates, nem por isso. Entretanto, li a Apologia de Sócrates. Consegui assim, atingir uma neblina de compreensão. 

Tenhamos em atenção, alguns trechos da Apologia:

Sócrates tem amor aos seus concidadãos. 

"Ora, pois, cidadãos atenienses, estou bem longe de me defender por amor a mim mesmo, como alguém poderia supor, mas por amor a vós, para que, condenando-me, não tenhais de cometer o erro de repelir o dom de mim que vos fez o Deus. Pois que, se me mandares matar, não encontrareis facilmente outro igual, que (pode parecer ridículo dizê-lo) tenha sido adaptado pelo Deus à cidade, do mesmo modo como a um cavalo grande e de pura raça, mas um pouco lerdo pela sua gordura, é aplicada a necessária esporada para sacudi-lo." 

Bem-aventuramos aqueles que transportam o bem. O perdão. 

"Mas também vós, ó juízes, deveis ter boa esperança em relação à morte, e considerar esta única verdade: que não é possível haver algum mal para um homem de bem, nem durante a vida, nem depois da morte, e que os Deuses não se interessam do que a ele concerne; e que, por isso mesmo, o que hoje aconteceu, no que a mim concerne, não é devido ao acaso, mas é a prova de que para mim era melhor morrer agora e ser libertado das coisas deste mundo. Eis também a razão porque a divina voz não me dissuadiu, e porque, de minha parte, não estou zangado com aqueles cujos votos me condenaram, nem contra meus acusadores."

O final. 

"É a hora de irmos: eu para a morte, vós para as vossas vidas; quem terá a melhor sorte? Só os Deuses sabem." 




Democracia Polarizada

O caso da coadopção e o respectivo referendo fez-me lembrar o facto de que as democracias estão a tornar apelativos os extremos. O fenómeno não é novo, mesmo assim, impossível é não sentir estranheza. Quais são as causas do protagonismo destes cantos de sereia?

Eu não tenho uma hipótese com provas. As minhas evidências derivam da intuição. E o que é que esta diz? A política está a perder a sua força. Digamos o que é força: é a capacidade de tomar decisões efectivas, fazer cumprir a lei e ter o poder de sujeitar o venal perante o interesse comum. As democracias podem perder a sua força, porque o que é decidido pelo processo democrático é irrelevante. Vejamos os tratados europeus que nunca foram referendados. Por fim, na nossa história, a primeira república abriu portas - pela sua confusão e indisciplina - ao estado novo. Será que estas portas estão sendo abertas, novamente? 

Sobre cultura e gosto


Uma pedrada no charco do politicamente correto!


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Rolão Preto

Publiquei isto em tempo no meu blogue e acho que aqui também fica bem...

..."a verdade, quando impedida de marchar, refugia-se no coração dos homens e vai ganhando em profundidade o que parece perder em superfície... Um dia, essa verdade obscura, sobe das profundidades onde se exilara e surge tão forte claridade, que rasga as trevas do Mundo"

Rolão Preto in Inquietação


Já aqui dei a entender que considero Rolão Preto um dos mais interessantes personagens do séc. XX português. Um pensador e homem de liberdade conotado com o regime saído do 28 de Maio de 1926 e que rejeita a transposição da ditadura (que queria efémera até que o país pudesse voltar a um modelo de democracia monárquica) para um regime de tipologia fascista.
A máxima notoriedade de Rolão Preto viria a dar-se na sequência do lançamento do «Movimento Nacional-Sindicalista» (MNS), em Fevereiro de 1932, através do qual foi desafiado o Salazarismo emergente. Sob a direcção de Rolão Preto e Alberto de Monsaraz, aquele movimento de massas veio a abalar profundamente o País. Consegue imprimir ao nacional-sindicalismo uma liderança fortemente carismática, mobilizando grande número de jovens das Academias.
Em entrevista à United Press, não deixou de vincar a sua distinta matriz doutrinária, enunciando uma clara demarcação ideológica: o Fascismo de Mussolini e o Nacional-Socialismo de Hitler, eram "totalitarismos divinizadores do Estado cesarista", ao contrário do Nacional-Sindicalismo, que filiava a sua doutrina nas tradições cristãs de Portugal.
O autoritarismo de Salazar veio a revelar-se bem mais próximo do fascismo, mostrando-se aliás em melhores condições para atrair e manter as juventudes influenciadas pelos estatismos modernistas em voga. Em Novembro de 1933, com as actividades do «Movimento Nacional-Sindicalista» entretanto proibidas, foi Salazar quem logrou captar para o seio do regime parte significativa das juventudes que o Nacional-Sindicalismo que, por breves momentos, conseguira mobilizar. A cisão no seio do Nacional-Sindicalismo deu-se precisamente quando Alberto de Monsaraz e Rolão Preto resolveram impugnar abertamente o modelo de Regime Corporativo de Partido Único - tipicamente fascista -, defendendo a independência do Movimento que dirigiam. Em Junho de 1934, uma representação ao Presidente da República voltou a colocar o problema. Entre outras reivindicações, uma vez mais se preconizava a constituição de um Governo nacional com a participação de todas as tendências políticas. O regime Salazarista, alicerçado no modelo fascista do Partido Único, porém, estava já completamente senhor da situação, acabando Rolão Preto por ser preso e expulso para Espanha. Pouco depois, uma nota oficiosa do Governo ainda insistia em convidar os Nacional-Sindicalistas a ingressar na União Nacional, ficando o Movimento, uma vez mais, totalmente proibido.
Veio a reentrar em Portugal em Fevereiro do ano seguinte, com o intuito de reorganizar e relançar o Nacional-Sindicalismo mas, em Setembro, o Governo deu Rolão Preto como implicado num frustrado movimento revolucionário contra o regime ("golpe Mendes Norton"). Rolão Preto parte novamente para o exílio.
Após a segunda Grande Guerra, Rolão Preto veio a retomar intervenção política através do apoio ao Movimento de Unidade Democrática (MUD). Tomou parte no comité de candidatura à presidência da República do Almirante Quintão Meireles e, nas eleições de 1958 integrou a candidatura do General Humberto Delgado, assumindo a chefia dos Serviços de Imprensa, escrevendo vários discursos da Candidatura e parte do respectivo Programa Político.
Em 1970, com outras personalidades monárquicas, constitui a Biblioteca do Pensamento Político, Convergência Monárquica, organização a favor da monarquia que tenta reunir o Movimento Popular Monárquico chefiado por Gonçalo Ribeiro Teles, uma fracção da Liga Popular Monárquica de João Vaz de Serra e Moura e a Renovação Portuguesa de Henrique Barrilaro Ruas.

Nas eleições de 1969, as primeiras eleições durante o período de governo de Marcelo Caetano, participa na lista da Comissão Eleitoral Monárquica.
Após o golpe militar de 25 de Abril de 1974 assume a Presidência do Directório e do Congresso do Partido Popular Monárquico (PPM), fundado em 23 de Maio.
Morre em Lisboa a 18 de Dezembro de 1977.

É condecorado por Mário Soares (enquanto Presidente da República), em 10 de Fevereiro de 1994, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a título póstumo, pelo seu «entranhado amor pela liberdade».

Bibliografia de Rolão Preto

* A Monarquia é a Restauração da Inteligência, Lisboa, 1920
* Para Além do Comunismo, Coimbra, 1932
* Orgânica do Movimento Nacional Sindicalista, Lisboa, 1933
* Salazar e a Sua Época: Comentário às Entrevistas do Actual Chefe do Governo com o Jornalista António Ferro, Lisboa, 1933
* Justiça!, Lisboa, 1936 "Política da Personalidade" - contra o fascismo e os totalitarismos
* O Fascismo, Guimarães, 1939
* Em Frente! Discurso pronunciado pelo Dr. Rolão Preto no banquete dos intelectuais nacionalistas, Castelo Branco, 1942
* Para Além da Guerra, Lisboa, 1942
* A Traição Burguesa, Lisboa, 1945
* Inquietação, Lisboa, 1963;
* Carta aberta ao Doutor Marcello Caetano, Lisboa, 1972.

Wake Up - Arcade Fire



Wake Up

Somethin' filled up
my heart with nothin',
someone told me not to cry.

But now that I'm older,
my heart's colder,
and I can see that it's a lie.

Children wake up,
hold your mistake up,
before they turn the summer into dust.

If the children don't grow up,
our bodies get bigger but our hearts get torn up.
We're just a million little god's causin rain storms turnin' every good thing to rust.

I guess we'll just have to adjust.

With my lighnin' bolts a glowin'
I can see where I am goin' to be
when the reaper he reaches and touches my hand.

With my lighnin' bolts a glowin'
I can see where I am goin'
With my lighnin' bolts a glowin'
I can see where I am go-goin'

You better look out below!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Project Syndicate I

O Robert Skidelsky lança uma curiosa ideia: as nossas vantagens competitivas são "mensuradas" estritamente em termos monetários e isto pode distorcer a forma como "medimos" a utilidade do tempo que dedicamos aos amigos, família, ou a nós próprios. Claro, que sempre que falamos em "vantagens competitivas" isto conduz-nos imediatamente para o comércio livre e a globalização. Esta última só faz sentido, tendo presente a "lógica" da tese das vantagens competitivas. O criador desta teoria, Paul Samuelson, já veio dizer que as coisas não são bem assim, já que a China pode absorver todas as vantagens relacionadas com a competição entre países só porque os salários praticados no império do meio são irrisórios. 

Ler: Project Syndicate: Free Trade and Costly Love

Sobre o valor dos independentes na política.

Questionaram-me sobre a importância dos independentes na vida política regional e nacional. Ora, pois bem, sou favorável à participação de qualquer cidadão na vida política. Acho, até, que devem ser feitas algumas revisões legislativas ao sistema político português com vista à facilitação do acesso dos cidadãos aos órgãos de decisão política, sem que isso tenha obrigatoriamente de passar pelos partidos.
Não vejo qualquer problema na participação de independentes na vida política, por via dos partidos. Mas se não vejo problema, também não vejo grandes benefícios, uma vez que as pessoas, quando se aproximam dos partidos, estão a comprometer-se com essas estruturas, com a sua ideologia, com a sua organização e com a sua agenda. O mesmo, aliás, que fazem os militantes. E assim é que deve ser.
Mais, acho que a maioria dos partidos acena com os independentes para mostrar a sua alegada superioridade relativamente aos demais, como se ser independente (isto é, não ter cartão) com atividade partidária fosse mais virtuoso do que ser militante. Parece-me, inclusive, que esta atitude diminui a condição de militante.
Por outro lado, considero que é uma tentativa de iludir os eleitores uma vez que apresenta como independente alguém que está comprometido.

E já nem sequer vou à análise dos independentes e das suas motivações. Ser independente, num partido, pode ser confortável, pois beneficia-se da estrutura sem estar sujeito às suas regras. Por outro lado, há também aqueles mercenários políticos, dispostos a candidatar-se por um qualquer partido que lhes dês guarida. 

Resumindo, nada tenho contra a participação de independentes das vidas políticas dos partidos. Mas também não vejo qualquer mais-valia nisso (a não ser uma meramente instrumental e populista).

O que gostaria é que os partidos, em vez de abrir as suas portas a independentes, propusessem a abertura das portas do sistema político nacional à participação de cidadãos e estruturas apartidárias. Esse é que seria o grande contributo dos partidos para a participação.

Sobre mitos ou pseudoargumentos em favor da adoção por parte de homossexuais.


Muitos defensores da medida trazem à liça, como argumento, o facto das crianças estarem melhor em lares do que em instituições de acolhimento. Por princípio, concordo (ainda que considere que a resposta para este problema está na melhoria das condições das instituições), mas este argumento vem infetado de um erro: parte do pressuposto de que há mais crianças à espera de ser adotadas do que casais interessados em adotar.
Fui informar-me: no dia 17 de janeiro de 2014, existiam em Portugal 492 crianças, com idades compreendidas entre os 0 e os 15 anos, à espera para serem adotadas. Estão inscritos na Segurança Social, para adotar, 1877 casais. Ou seja, para cada criança, há 3 casais interessados.

Mesmo reconhecendo que existem várias variantes (casais sem condições efetivas para adotar - por diversos motivos; crianças com deficiências - que a maior parte dos casais não está interessada; crianças de etnias diferentes; a idade das crianças, etc.), com isto, apenas quero demonstrar que há muitos mitos que não correspondem à verdade. E se se quer discutir isto a sério, temos de depurar o debate destas falsas verdades.

3 notas: Sebastião José








sábado, 18 de janeiro de 2014

Independente(s)




O termo "independente" ganhou uma estranha conotação: pessoa ligada à política, porém não afecta à militância de um partido. A estranheza advém da natureza de um sistema democrático representativo. O parlamento numa democracia é preenchido por cores partidárias, sendo os deputados apontados pelos partidos, ou seja, sujeitos a uma disciplina partidária, não representando directamente os cidadãos. A representação é indirecta: os eleitores votam directamente nos partidos, por sua vez, os partidos escolhem os seus representantes. Dito isto, o termo independente ganha valor acrescido. O independente é escolhido não pela obediência a um partido, mas sim pelo seu valor na sociedade. Isto é, pelo menos, aquilo que está implícito na acepção que temos do termo. 

Daqui surgem dois problemas: primeiro, fica diminuído o valor do militante; segundo, fica a ideia que os partidos não funcionam internamente de forma clara e objectiva, oferecendo "lugares" sem que isto tenha correspondência ao mérito do escolhido. Os partidos perdem valor dando lugar a independentes, pois isto corresponde a assumir que o seu funcionamento interno é suspeito ou ineficaz.
Eu não tenho nada contra o termo "independente". Eu próprio não sou militante de um partido. Todavia, sou obrigado a dizer que é virtualmente impossível corresponder a minha independência àquele sentido que o termo tomou. É fácil explicar a razão: todo e qualquer projecto político não é feito no singular, mas no plural. Por outro lado, sou afecto a um corpo de princípios, valores e crenças que condicionam - naturalmente - as minhas posições políticas. Sou, inclusive, obrigado a dizer que poderei agir politicamente em outros tipos de associações políticas que não as partidárias - associações, sindicatos, movimentos, etc. 
Daqui, lanço a questão se não devemos repensar o que é independência no actual sistema político? Será proveitosa esta forma de fazer política? Fará sentido aceitarmos que "independentes" ocupem cargos de nomeação partidária (como é o caso dos deputados)?

Eu fiz parte

Fui um leitor ávido do Coluna Infame. Faço parte deste trecho da história.

"Pela sua qualidade e originalidade, merece destaque o blogue «Coluna Infame», projecto de 2002-2003 de Pedro Mexia, Pedro Lomba e João Pereira Coutinho, muito influenciado na sua génese pelos acontecimentos do 11 de Setembro, que haviam dado lugar a uma obra marcante para a intelectualidade de direita, o livro de Fernando Gil e Paulo Tunhas, Impasses. Seguido de coisas vistas, coisas ouvidas (2003). Todos eles, até por razões que precederam ou acompanharam a sua presença no «A Coluna Infame», conquistaram um lugar de destaque na esfera pública, ainda que percorrendo caminhos diversos. Pedro Lomba escreveria no Público, Pedro Mexia no Expresso, João Pereira Coutinho no Correio da Manhã e, com grande êxito, naFolha de S. Paulo. Todos tiveram presença marcante na blogosfera, mas afirmam agora as suas posições noutros lugares, como a imprensa escrita ou a televisão. E todos eles tinham e têm, a par da componente estritamente política, uma marcadíssima aproximação de natureza cultural, sendo patente a sua reverência por Nelson Rodrigues, Philip Larkin, Evelyn Waugh, a pop inglesa ou o cinema independente. A partir desse encontro, cada qual seguiu o seu caminho: Pedro Lomba e João Pereira Coutinho mais ligados às universidades, Pedro Mexia mais próximo dos meios literários do que académicos, todos rejeitaram a atracção do tribalismo e, ao invés, cultivaram um estrito individualismo, pessoal e intelectual."

Fonte: Malomil
Autor: António Araújo 

Último Parágrafo: Crime e Castigo


A estátua e o barro

"Quando temos uma estátua de barro na mão, estamos de facto a segurar dois objectos físicos: uma estátua e um pedaço de barro. Pois se partirmos a estátua, esta é destruída, mas o pedaço de barro continua a existir."

Fonte:  
Enigmas da Existência: Uma Visita Guiada à Metafísica, de Earl Conee e Theodore Sider

Singular e enigmático, a forma como isto se aplica a duas coisas profundamente antagónicas: o amor e o poder.  

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

2 Citações: Público 16-01-2014

"Há dias feios feios. Olha-se para o céu e não há céu. Vai-se ao mar e o mar está sujo e a areia está barrenta. Passeia-se e não se vê nada. O nevoeiro tapa as vistas. Sobressaem só as cores mais vivas dos prédios mais grotescos. É um alívio. A beleza também cansa. Faz bem tirar umas férias dela."

Miguel Esteves Cardoso

"Num tempo em que o espaço público está dominado pela contraposição entre duas ortodoxias de sinal contrário." 

Francisco Assis

Nota: é sempre bom encontrar algo que subscrevo por inteiro, é uma brisa de civilização que nos sopra brandamente a face.

António Ferreira 

A banalidade do bem?


Houve um momento que questionei um velhote sobre duas virtudes: a bondade e honestidade. Diz-me o ancião que há virtudes que são tão inerentes aos homens como as pestanas. Respondi que não percebi o que ele queria dizer com aquilo, ele dissolve as palavras obtusas e dá uma explicação: "Eu sei que há pessoas que se orgulham de ter pernas, pestanas ou braços. Todavia, se fores a ver bem quase todos nós temos pernas, pestanas ou braços. Quase todos nós recebemos já no ventre materno pernas, pestanas ou braços. O mesmo acontece com a bondade e a honestidade. Há quem encare as virtudes como algo excepcional, mas todos nós temos virtudes. Da mesma forma que um desportista sabe usar melhor as pernas do que tu, há pessoas que sabem usar melhor as suas virtudes que outras." Eu quis continuar o diálogo e disse: "E se não forem virtudes?" Ele replicou: "Infelizmente, é a mesma conversa."

Costuma-se dizer "em terra de cego quem tem olho é rei." Eu gostava de parafrasear este ditado, mas fico-me só pela primeira parte: em terra de aldrabões... Confesso a minha limitação — o que é preciso para ser rei numa terra de aldrabões?

Digo isto a título de provocação, ainda no outro dia ouvi um senhor orgulhoso dizer que na sua vida nunca recorreu a uma cunha para arranjar um tacho para os filhos. No momento em que este senhor diz-me isto, não pensei muito no assunto. Mas dias depois, um amigo lembra-me que não procurar cunhas não pode ser motivo de orgulho. Aliás, fazer a coisa correcta não deve ser motivo de orgulho. Concordo com a lógica do meu amigo, mas pergunto-me: se não valorizamos as virtudes não corremos o risco de banalizar qualidades determinantes para a sociedade?

Este dilema é complexo, nós temos inerentemente desconfiança da ética. Principalmente, porque a ética é exigente. Eu próprio penso no assunto: e se eu precisar de um favor? E se tiver de socorrer-me de uma cunha? Não é que alguma vez eu tenha tido uma cunha ou um favor, mas será que devo fechar definitivamente todas as portas e janelas de oportunidades. Será que exigir atitudes e comportamentos dentro de uma ética restrita — para não mencionar que é aborrecido — não pode ser demasiado confrangedor e constrangedor?

Nós precisamos da ética, na política e no meio empresarial. A economia sem ética não é só selvagem e desigual. A economia sem ética, estagna. Mas os problemas com a ética começam em nós próprios, tornando os problemas sociais e económicos que enfrentamos num verdadeiro ciclo vicioso.

Reuters


António Ferreira 

Aceleração do tempo ou as cordas do universo

Que o universo está em expansão, já o sabemos desde as observações de Hubble sobre o afastamento progressivo de todos objetos cósmicos. Este físico mostrou que o universo não era estático e que a sua expansão decorria a uma velocidade constante.
Esta foi uma grande descoberta na medida em que se julgava que devido à gravidade (força mais poderosa do universo, capaz de dobrar a própria energia) o universo poderia estar a contrair. Isto porque progressivamente a gravidade gerada pela matéria que foi sendo produzida no cosmos anularia a energia da expansão.

Contudo, observações recentes de supernovas (investigadores foram premiados com o Nobel) demonstram que a velocidade de expansão está a acelerar, de modo aparentemente paradoxal, uma vez que, por um lado, desde o Big Bang tem havido dispersão de energia e por outro, a atração gravitacional estaria a travar essa expansão.
Ora, se as hipóteses mais plausíveis para o fim do universo, seriam ou o Big Freeze (congelamento - devido a essa dispersão da energia) ou o Big Crunch (em que a gravidade obrigaria a contração do universo até ao ponto e origem para de novo originar um Big Bang), com o atual paradigma parece que a morte mais expectável para o universo será a Big Rip, isto é, a aceleração progressiva que levará à própria desintegração de toda a matéria. O que até converge com as diversas teorias de multiverso.

Esta aceleração deve-se, aparentemente, a uma forma de energia que não se dispersa: a energia negra, uma forma negativa de energia que se opõe à gravidade.

Para além desta temática ser interessante per se, há contudo, uma dimensão que me interessa particularmente: a nossa experimentação individual desta aceleração do espaço-tempo.
Sabemos que a vida humana decorre a uma velocidade cada vez mais vertiginosa. Acreditamos que tal se deve ao progresso tecnológico e à nossa perceção do tempo. Isto é, à medida que vamos acumulando unidades de tempo, (segundos, minutos, horas, dias, meses, anos), “parece” que essas unidades são cada vez mais pequenas, envolvendo uma distorção temporal (como nos ensinou Claudia Hammond, no seu Time Warped).
Ora, o que a teoria de aceleração sugere é que talvez essa perceção de aceleração não seja apenas resultante de mecanismos biológicos, químicos e neurológicos, mas a perceção do nosso corpo sobre a velocidade real do tempo físico. E se parece já fantástico, imaginemos então que partilhamos efetivamente com todos os objetos cósmicos (matéria e energia) a faúlha original, proposta pela teoria das cordas em que toda a matéria e energia brotam de filamentos de energia que vibram a diferentes tons. Isto poderia implicar que a nossa perceção da aceleração do tempo deriva de uma memória bem anterior à existência do nosso corpo.

É fantástico. E mais fantástico ainda é que pode bem ser assim. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Ascenção e queda


Pelo lado materno, as minhas raízes vêm de uma pequena aldeia da Beira Baixa. Por esse mesmo lado tenho como primo, (apesar de distante) um dos maiores pintores portugueses vivos, Manuel Cargaleiro.
Escolhi esta pintura, que retrata um pôr do sol no Alentejo, tão diferente das que estamos acostumados a ver com a assinatura de Cargaleiro, pois lí há pouco tempo o último livro de Miguel Sousa Tavares, "Madrugada Suja", onde é retratado Portugal, desde o pré 25 de Abril, até a actualidade, passando pelas grandes ocupações no Alentejo, até aos dias de hoje, com as jogadas típicas de corrupção do poder autárquico, até ao topo da política nacional. 
Este declínio do sol, representado num forte laranja, mostra precisamente o declínio que hoje assistimos.
O declínio laranja, que na região nunca soube honrar e comemorar Abril dignamente, mostra actualmente o que de pior é possível fazer em política. A perseguição perdeu a vergonha. 

Por terras do continente, temos precisamente esta mistura azul e laranja, que ameaça o retrocesso com o empobrecimento e deseducação do país, fazendo temer o pior, onde um sinal de instrução é saber ler, escrever e a matemática mais básica.
Com a emigração galopante que assistimos, retrocedemos aos tempos das grandes emigrações do século passado, mas desta vez com uma grande diferença, mandamos embora aqueles em quem investimos em educação e sabedoria! Nós pagamos a educação, outros colhem os lucros! Grande negócio!

Enfim, e como nos últimos tempos só ouvimos falar de futebol, com esta onda de, sem respeitar o período de 5 anos, querer levar Eusébio para o Panteão, ficando concerteza muito próximo de Amália, só nos falta uma aparição em Fátima, para que este país volte com toda a força aos 3 F's que tanto sucesso fizeram no tempo do estado novo.

Esperemos por um novo dia, com outras cores a pintar a paisagem.

Duarte Caldeira Ferreira

sábado, 11 de janeiro de 2014

Tubo de Ensaio

O Tubo de Ensaio tem sido uma excelente experiência. Aqui vamos dar uma nova fajã aos bons espíritos criados neste pequeno grupo. Ficamos desde já gratos pela atenção dedicado a este espaço.