terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Ascenção e queda


Pelo lado materno, as minhas raízes vêm de uma pequena aldeia da Beira Baixa. Por esse mesmo lado tenho como primo, (apesar de distante) um dos maiores pintores portugueses vivos, Manuel Cargaleiro.
Escolhi esta pintura, que retrata um pôr do sol no Alentejo, tão diferente das que estamos acostumados a ver com a assinatura de Cargaleiro, pois lí há pouco tempo o último livro de Miguel Sousa Tavares, "Madrugada Suja", onde é retratado Portugal, desde o pré 25 de Abril, até a actualidade, passando pelas grandes ocupações no Alentejo, até aos dias de hoje, com as jogadas típicas de corrupção do poder autárquico, até ao topo da política nacional. 
Este declínio do sol, representado num forte laranja, mostra precisamente o declínio que hoje assistimos.
O declínio laranja, que na região nunca soube honrar e comemorar Abril dignamente, mostra actualmente o que de pior é possível fazer em política. A perseguição perdeu a vergonha. 

Por terras do continente, temos precisamente esta mistura azul e laranja, que ameaça o retrocesso com o empobrecimento e deseducação do país, fazendo temer o pior, onde um sinal de instrução é saber ler, escrever e a matemática mais básica.
Com a emigração galopante que assistimos, retrocedemos aos tempos das grandes emigrações do século passado, mas desta vez com uma grande diferença, mandamos embora aqueles em quem investimos em educação e sabedoria! Nós pagamos a educação, outros colhem os lucros! Grande negócio!

Enfim, e como nos últimos tempos só ouvimos falar de futebol, com esta onda de, sem respeitar o período de 5 anos, querer levar Eusébio para o Panteão, ficando concerteza muito próximo de Amália, só nos falta uma aparição em Fátima, para que este país volte com toda a força aos 3 F's que tanto sucesso fizeram no tempo do estado novo.

Esperemos por um novo dia, com outras cores a pintar a paisagem.

Duarte Caldeira Ferreira

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